quinta-feira, 21 de novembro de 2013

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          Lívia sai apressada do consultório da dentista.
Estacionara o carro a uma boa distância, imaginando que
não iria demorar; Demorara.
         Já era noite e o lugar estava diferente agora.
Pouco iluminado, com péssimo calçamento, meio deserto.
          Ainda bem que estava sem salto, assim caminhava
mais depressa.
         Aqui e acolá um local aberto: um mercadinho, um bar,
um instituto de beleza.
         Tem a impressão de ouvir passos acompanhando
os seus. Para e olha ao redor. Nada.  Silêncio.
         Retoma seu caminho, mas agora com a certeza de que
está sendo seguida, pois o ruído a persegue compassadamente.
         Resolve entrar no mercado, mas este já está fechando.
 No instituto as luzes já se apagaram. Só lhe resta o bar.
         Sem opções, entra.
        Uma luz amarelada dá um toque de velhice e sujeira ao
local.  Seis mesas, um corredor, um balcão e ninguém a vista.
Os únicos ruídos vêm da televisão e das moscas que rodopiam a
lâmpada.
          Resolve sentar um pouco até que alguém apareça.
 Repara então na TV. Está destoando, é nova.
Começa a acompanhar o filme que está passando: uma jovem
mulher é estrangulada assim que sai de um bar onde se refugiara.
        Lívia pensa: - Estrangulada. Deve ser horrível morrer assim!
Fixa o olhar na tela, onde jaz o corpo.
       De repente olha ao redor e se dá conta do que a fizera entrar ali.
Sacode a cabeça e sorri, um riso descrente.
           Como ninguém aparece para atender, resolve ir embora.
          Junta suas coisas e sai pronta para uma caminhada forçada.
Mal sente quando seu pescoço é garroteado.
          Minutos depois uma pequena multidão se aglomera ao
seu redor, morta, estrangulada em frente ao bar.


                                                    Tânia Kvalknt

                          Exercício da Oficina de Textos Criativos/Casa de Ideias
                                 (Caixa Chinesa – 19/11/2013)


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