Pegou o táxi, deu o destino para o motorista e
se pôs a pensar no que diria aquele dia ao
psiquiatra. Não queria perder o tempo da
consulta pensando.
Assuntos nunca faltavam.
O difícil era escolher qual era o que aparente_
te, mais estava embrulhando sua vida.
Tinha aquele rolo com o Carlos, que não ia
para frente nem dava em nada. Saco.
Também, quando um arranjava namoro o
outro ficava solteiro, e nem assim deixavam de se
ver.
Tem dó, cinco anos nesse esquema!
E o mais estranho é que realmente eram só
amigos.
Bem, mais ou menos isso.
Por duas vezes haviam tentado mudar a
relação. Sentiam algo mais, mas a coisa era
tão louca que na primeira vez ele se “perdera”
no caminho do motel e na segunda, ela resolvera
vomitar até o almoço do dia anterior.
Vai entender!
Estava tão desligada, que estranhou
quando o carro freou em frente ao Annes Dias.
Apressada pegou o dinheiro para pagar o
motorista, pensando até em comentar que a
corrida tinha sido rápida, mas ao olhar para
o rosto do dito, gelou!
Será que tinha pensado em voz alta?
Nem perguntou. Não precisava.
Estava na cara do homem, que escondia uma
risada e balançava a cabeça fazendo que não!
Que fiasco! Como é que fora capaz de dar
aquele vexame?
Mas como tinha mania de Pollyana resolveu
tirar duas lições do fato:
1°- Como burlar um tema incômodo na sessão com
o psiquiatra.
2°- Motoristas de taxi dariam péssimos terapeutas:
aquele não interrompera sequer uma vez para lhe
perguntar como se sentia em relação a situação!
Tânia Kvalknt

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