terça-feira, 30 de abril de 2013

    Esse foi meu maior "mico"!

                              O MAESTRO
                                    
     Não sei se vocês recordam, mas havia uma época em que, na
primeira  ou segunda, terça-feira, de cada mês, a OSPA oferecia
concertos belíssimos, com a regência de maestros famosos, pagando –
se quase nada para assistir.
     E vinha gente famosa mesmo!
     Aqueles caras que lotam qualquer local onde se apresentam.
Fora o Brasil.
Parece que aqui existe uma acefalia para clássicos.  Tirando uns cinco
por cento da população, o resto é um desastre no terreno.
     Não que eu seja expert, valha-me Deus.
 Conheço os mais populares, como Vivaldi, Mozart, Beethoven,
Wagner, Chopin, Bach, Tchaikovsky, Haendel, e talvez até mais
alguns.
Se estiver num dia bom, sou capaz até de reconhecer  quem é quem.
     Confesso minha predileção por Tchaikovsky e Ravel;
     Acontece que um dia veio um maestro japonês, cujo nome não me
vem à memória, mas lembro que regia Ravel impecavelmente.
Eu prontamente me ajustei na plateia, uma meia hora antes do
espetáculo.
     O Bolero de Ravel.
     Foi uma apresentação maravilhosa, de emocionar qualquer mortal.
     Todos aplaudiram em pé, ao pequeno homem capaz de tamanha
façanha, inclusive eu, que estava empolgadíssima (uso este termo para
ser discreta).
     Aí foi o começo do meu desastre!
     Vi que muitas pessoas estavam se dirigindo para o camarim do
astro em questão.
     E eu fui junto, sem parar para pensar que há séculos não
pronunciava uma palavra que não fosse em Português.
     E eis que de repente me vejo frente a frente com o maestro.
Fico eu sorrindo feito uma imbecil, mais calada que um surdo – mudo
de nascença.
Suando em bicas, ouço:
- Do you speak English?
Gaguejo  em pânico : Mor or less.
-And French?
Eu:
- J’ai parle une fois...
Com um grande sorriso, por certo de pura educação, ele arrisca:
- Italian?
-Niente!
E nisso me veio como que em voz de metralhadora:
- My name is Tânia and ...
And...
Tank  you for Ravel!
E saí em disparada, carregando o folder que ele apesar de tudo,
gentilmente assinara com  dedicatória e tudo.
O que está escrito nunca soube.
Está num dialeto japonês.
         Tânia kvalknt
           






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