segunda-feira, 5 de maio de 2014

O INCIDENTE

Éramos pequenas, a maioria nos seus oito anos.
Cursávamos a terceira série, num colégio rígido, cuja
coordenação era exercida por freiras Franciscanas.
Obviamente que a professora sempre tinha a razão.
Então aconteceu o incidente. Cômico? Trágico?
Lembro-me de ter rido no momento, o que lastimo muito,
coisa de criança enfim.
Havia uma menina ‘’pra‘’ lá de calada, acho que tímida.
Mas legal, não era emburrada nem dedo duro, e o principal,
não era metida como as outras top da turma (com melhores
notas).
Tínhamos regras para tudo, inclusive ir ao banheiro.
Um dia a tal menina levantou o braço (era o sinal), mas não
sei o que deu na professora, só que fez que não viu.
Instantes depois, outra guria e a caladinha, levantaram
os braços. A professora liberou a outra.
Pouco depois nova tentativa da mesma garota. Até nós já
estávamos aflitas, afinal esse não era o jeito dela.
Mas a professora começou a discursar, falando que ninguém
mais levantaria para sair, até o intervalo e sentou-se com cara
de assunto encerrado.
Ficamos pasmas quando a tímida garota levantou-se e
colocou-se ao lado da mestra. Começou a falar algo, mas foi
interrompida por um jato de vômito que atingiu em cheio a
mulher que agora gritava feito louca, instantes antes uma
mestra com ares doutorais.
Nós ríamos sem parar e o rebuliço foi tal que logo acudiram
freiras, auxiliares e nem lembro mais quem.
Sei que no final aquilo deu ‘‘pano pra manga”, tendo a
Escola feito um pedido formal de desculpas aos pais da
garota.
Hoje, já madura, penso na minha colega e acho que
mesmo inconscientemente, deu-nos uma lição sobre
o respeito. Ao menos eu assimilei assim.

Tânia Kvalknt
Imagem: Google

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