Já estavas idosa e vinhas sofrendo os efeitos disso.
Nunca foste a mãe perfeita ou mesmo que me demonstrasse
grande amor.
Também não fui o filho que esperavas. Nasci te contrariando,
ao ser mulher.
Eu, bichinho do mato, dona do meu nariz, gostava de ficar
só e depois de alfabetizada, sempre lendo.
Pentear-me já te era uma façanha, imagina colocar-me num
vestido? Por certo que te irritavas. Mesmo que não fosse minha
intenção.
Cresci e as coisas não mudaram em nada.
Não éramos de muito carinho, de beijos ou abraços. Pude
extravasar esse lado somente mais tarde, quando vieram
as crianças da família.
Doía-me te ver tão bela, mas não plena.
E o tempo foi passando.
Coisas da vida me levaram para longe por um tempo.
Mas isso foi recuperado.
Sempre te amei e continuarei te amando até nos reencontrarmos
num local de maior entendimento.
Gostaria de falar mais sobre ti, mas dói muito e não quero
deixar-te triste.
Te amo minha querida mãe Tamar
Tânia
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