Tem gente que se esmera
Em fazer papel de vítima.
Atua tanto, e no entanto
Falta-lhe o sofrimento,
Pois fingimento é sem valia.
Este só o tem aquele que gostaria:
De conhecer a alegria,
Ao ser cuidado pelo pai, ao menos um dia.
Nunca ter ouvido da mãe, desde pequeno
Que não foi desejado, nem deveria ter nascido.
Desenvolveu a capacidade de
Ficar transparente, pagando o custo
De sentir-se sempre carente.
Embora tudo faça para que nada
Fique evidente, a pseudo vítima
Em seu clamor veemente,
Faz da vida um teatro mambembe.
Narciso nada vê, além de si.
Poesia: Tânia Kvalknt
Ilustração: Ckoi Tan (Google)

Nenhum comentário:
Postar um comentário