sexta-feira, 7 de março de 2014

TEATRO DA VIDA

Tem gente que se esmera
Em fazer papel de vítima.
Atua tanto, e no entanto
Falta-lhe o sofrimento,
Pois fingimento é sem valia.

Este só o tem aquele que gostaria:
De conhecer a alegria,
Ao ser cuidado pelo pai, ao menos um dia.

Nunca ter ouvido da mãe, desde pequeno
Que não foi desejado, nem deveria ter nascido.

Desenvolveu a capacidade de
Ficar transparente, pagando o custo
De sentir-se sempre carente.

Embora tudo faça para que nada 
Fique evidente, a pseudo vítima
Em seu clamor veemente,
Faz da vida um teatro mambembe.
Narciso nada vê, além de si.

                                Poesia: Tânia Kvalknt
                                Ilustração: Ckoi Tan (Google)


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