Garanto a todos
Que quase em desespero,
As santas criaturas criaram-me
Com todo esmero.
No bordado dizem
Que tenho mãos de fada.
Na pintura tenho
Estilo próprio,
Certamente não
Sobreviveria,
Se fosse meu ganha-pão.
Na cozinha me saio bem,
Desde que não perca
As abençoadas receitas,
Legadas pelas freiras.
Apenas num ponto não houve jeito
De transformar aquela pirralha
Numa dama exemplar.
Nunca conseguiram que eu parasse com
A maldita mania de pensar e perguntar
O devido, mas principalmente o que
Era indevido, para os padrões de então.
Por ironia do destino
Foi exatamente esse “defeito”
Que me impôs o feito
De nunca ficar satisfeita
Com meu saber.
E não vou mudar.
Poesia: Tânia Kvalknt
Ilustração: Seth Tuska
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