Quem passou pela Semiologia vai entender bem o “quase”
drama que me aconteceu.
Se por acaso, algum distraído não leu o título, só informo
que esta é a cadeira que ensina a fazer a anamnese, coletar
informações do paciente, para saber o que o trouxe a
consulta, mais a revisão dos sistemas (Neurológico,
Respiratório, Gástrico etc...).
Na Medicina também é ensinado o exame físico completo.
É o primeiro contato como profissional, do estudante com o
paciente, tornando-o diferenciado entre os colegas que ainda
não passaram pelo evento.
Digo “evento”, sem exagero; O pobre do candidato a
maratonista de plantões, fica sendo avaliado pelo preceptor e
mais oito ou nove colegas, conforme o número de alunos da
turma. E geralmente é tudo feito conforme a ordem alfabética.
Sorte das Anas. Pobres das Tânias. Terrorismo para o Wilsons.
Agora eu dou risada. Mas na época...
O primeiro passo era receber o paciente e acomodá-lo.
Em seguida, perguntava-se qual o incômodo, ou seja a
Queixa Principal.
A resposta sempre era uma dor ou desconforto.
A partir daí, ficava simples, porque seguíamos uma
sequência de perguntas: desde quando aparecera, piorava
como, aliviava como, se algo precipitava, se aparecia numa hora
específica e assim por diante.
Depois vinha a Revisão dos Sistemas, mas o indivíduo já estava salvo.
Não preciso dizer que aconteceram muitas situações
bem cômicas, principalmente devido à linguagem (gases,
flatus, constipação nasal?, intestinal?).
Mas meu caso foi bem diferente.
Óbvio que já estava em alas com a espera.
Finalmente chegou o dia, a hora, a paciente.
Eu a recebo com um aperto cordial de mão. (1 ponto)
Peço que se sente, e faço a pergunta: (2 pontos)
- O que lhe traz aqui? (3 pontos)
-Quero fazer um Check-up.
(Check-up? CHECK-UP? Diabos! Meus neurônios pegos de surpresa.)
E agora o que faço?
Pares de olhos em pânico me fitam, durante segundos,
que até hoje me parecem deslocados no tempo.
Refaço a pergunta:
- Desde quando vem pensando em fazer o Check-up?
- Há uns meses eu acho.
Salvos da apneia coletiva, apenas três pessoas
mantinham-se calmas, a preceptora, a paciente e eu.
Devíamos estar pelo mês de Outubro e por certo já
enfrentara meus demônios do ano.
Tânia Kvalknt
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