Têm coisas que tentamos esquecer, mas elas
retornam quando
menos
esperamos.
Faço uma oficina de escrita, na qual
geralmente temos que
elaborar
um texto de uma aula para outra.
Não sei se ao acaso, mas dois “temas”
apresentados, no último
encontro,
faziam referência a figura materna.
Isso me tocou profundamente, porque
lembrei em particular
de
uma situação que passei na infância.
Eu estava na 5ª serie, quando tivemos que
nos mudar para
um
hotel, pois nossa casa já vinha em reformas há uns três
anos
e nem sinal de terminar. O jeito foi sairmos de lá.
Minha irmã mais velha ficou no internato
das Cônegas,
famoso
colégio da época.
Meus pais, meu irmão menor e eu fomos para
o Hotel
Embaixador,
que era bem mais simples então; Sequer um
restaurante
contava.
Meu irmão ainda nem frequentava a escola.
Então
imaginem o quadro desolador: oito meses trancafiados
num
quarto.
Mas o ruim mesmo ainda estava por vir:
tivemos Coqueluche,
eu
e ele!
Se algum de vocês já teve sabe ao que me
refiro.
E na situação em
que estávamos era o equivalente a perambular
por alguns círculos
do Inferno de Dante.
Foi um horror. Toda minha turma na escola
pegou, motivo
pelo
qual eu não fiquei impedida de comparecer as aulas (só
no
inicio).
Mas eram tenebrosos os acessos de tosse e
lembro que punha
lenços
entre os dentes para cerrar a boca e travar os ataques,
o
que, se não me falha a memória, parecia aliviar.
Antônio, meu irmão, teve um quadro mais
leve.
Afinal
as coisas foram se ajeitando e antes do término do
ano
escolar já estávamos em casa.
E o melhor de tudo: eu passara em primeiro
lugar na turma!
Com
tudo aquilo e tendo que aguentar todos os mimos
voltados
para o Antônio, enfim chegara minha vez.
Não
via a hora de a mãe receber orgulhosa o meu boletim
em
frente de todos os colegas.
Que custo esperar o dia da entrega!
Mal
sabia eu.
Sorte minha ter uma irmã mais velha, que sorridente
recebeu
a pequena carteira cheia de medalhas, desviando os
olhares
de mim.
A mãe não foi porque tinha a casa e meu
irmão para cuidar.
Essa eu sempre tento esquecer!
Tânia Kvalknt

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