Cada coisa que inventam. Olhem só essa:
Sapatos de Cinderela
Alguém de vocês é capaz de lembrar dos inconfundíveis sapatos Vulcabrás? Eu não tenho como esquecê-los. E já se vão quarenta e nove anos que não uso um deles! E lhes digo com sinceridade que não é pelo fato de serem feios, aliás horriveis, mas porque eu era obrigada a calçá-los nos pés trocados. Era o tratamento que o Ortopedista, escolhido por meus pais , óbvio, recomendara para eu seguir. O maior problema em toda a situação , é que eu cursava minha primeira série escolar, num colégio de freiras, só para meninas; Minto. Nas primeiras três séries eram admitidos meninos. Eramos perto de trinta alunos na turma, sendo cinco, meninos. Agora imaginem vinte e poucas meninas , bem mimosas , cinco meninos tão enturmados quanto Araras no norte do Canadá, e eu, com meus sapatos emborrachados, nos pés trocados. Havia um certo desequilíbrio de grupos, digamos assim: meninas, meninos e eu. Tenho lembrança de ser boa aluna dentro da sala de aula e tirar boas notas. Mas uma interação se fazia necessária e já que não me era permitido bater em meninas, tornei-me o terror dos guris nos recreios. Foi um ano também inesquecível para minha mãe, pois toda semana era convidada a comparecer na escola e escutar a mesma ladainha. E como dizem, nada é para sempre , o ano findou e apesar de tudo eu passei. Advinhem qual foi meu maior presente naquele Natal? O do meu Ortopedista! Estava livre dos malditos Vulcabrás enviezados. Quando a segunda série iniciou me senti como uma Cinderela, usando um simples par de sapatos pretos, cada qual em seu respectivo pé. | ||
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